O relógio da sala faz barulho a cada segundo passado. A cada subida e descida dos ponteiros mais contínuo fica na cabeça o ruído.
Deitado estava, mas a mente inquieta não pára. A vida é como o relógio, trabalhando sem pausas; O coração são as pilhas. Não sabemos quando irá enfraquecer. O barulho contínuo só é percebido no silêncio, quando todos adormecem, quando o fim do corujão aparece e toda realidade volta a tona ao pressionar o desligar do controle remoto. Como que se acordasse de um sonho estando acordado. E o relógio não pára... Quanto mais me concentro pro sono vir, mas o barulho me incomoda.
Olho para o criado mudo vejo o Daniel´s vazio; abro a gaveta dos ''escondidos'' e vejo o Domecq com 1/4 de sua quantidade total. Melhor não... deixa pra lá, amanhã pode ser mais necessário que hoje.
Levanto, calço as hawaianas brancas com as clássicas tiras azuis céu e descido tirar as pilhas do relógio da sala para talvez cessar meu incomodo. Mas algo me impede... outros também precisam ver as horas, meu Pai levanta cedo para ir ao trabalho, minha Mãe para ir a igreja e com isso posso prejudica-los. Não posso fazer com que meu simples incomodo prejudique aqueles que aguentaram por dias e noites meus choros incontroláveis e se doaram tanto para que hoje eu estivesse bem, com saúde e amado.
Deixa o relógio funcionando até a hora que a pilha se esgotar. Nada é por acaso, nada termina e nem começa sem ter a sua necessidade... nem mesmo os problemas. Seria egoísmo demais de minha parte.
Pensamentos OFF Line, R. Melo

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